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O que é xT (Expected Threat) no futebol

·6 min de leitura

O xT (expected threat, “ameaça esperada”) mede o quanto cada lance aproxima um time do gol. Um passe, um drible, uma recuperação de bola: tudo conta. O campo se divide numa grade de zonas. Cada zona tem um valor: a probabilidade de que a posse ali, historicamente, tenha terminado em gol nos lances seguintes. Quando um jogador move a bola de uma zona pra outra, o xT desse lance é a diferença entre os dois valores. Um passe lateral no seu próprio campo quase não muda nada. Um drible da lateral até a área muda bastante.

Como se calcula: o valor viaja de zona em zona

O modelo divide o campo numa grade, normalmente uma dúzia de células por lado. Cada célula recebe um número construído a partir de milhares de lances anteriores. É a frequência com que a posse ali, naquela situação, terminou em gol antes de a bola voltar pro adversário.

Quando um jogador passa ou conduz a bola da zona A pra zona B, o xT desse lance é o valor de B menos o valor de A. Um passe desde o seu próprio campo até a entrada da área adversária tem um xT alto. Ele salta de uma zona de baixo valor pra uma de alto valor. O mesmo passe dado dez metros mais atrás tem um xT perto de zero, ou até negativo: a bola volta pra um ponto de onde raramente sai um gol.

Daí sai a primeira consequência. O xT avalia cada lance em campo, não só o último passe antes do chute. É isso que separa ele do xA, que só começa a contar no passe logo antes do chute.

Em que o xT difere do xG e do xA

Três métricas, três momentos diferentes da mesma jogada. Cada uma responde uma pergunta diferente.

O xG pergunta: o chute era perigoso? O xA pergunta: o passe que abriu esse chute era bom? O xT pergunta algo mais amplo: o quanto cada toque na bola, ao longo de toda a jogada, aproximou o time do gol, da recuperação até o chute? O xG e o xA só entram em jogo no chute e no passe logo antes dele. O xT conta em cada toque. Incluindo os do meio de campo que, naquela mesma jogada, nunca terminam em chute.

É isso que deixa o xT captar o que as outras duas métricas não veem: o trabalho de construção no meio de campo. Um jogador que tira a bola de trás com regularidade até a linha adversária pode somar um xT total alto num jogo. E, mesmo assim, nunca dar o último passe antes de um chute. E ficar sem uma assistência sequer na súmula.

O que o xT não mostra

O contexto defensivo do adversário. O valor de uma zona é uma média de milhares de jogos. Um passe pra essa mesma zona traz um risco real bem diferente contra uma defesa bem postada e contra um time com um a menos. O modelo não distingue os dois casos.

A dificuldade de execução. O xT conta a mudança de valor entre zonas, não a dificuldade do passe. Uma bola simples em espaço livre e um passe enfiado entre três zagueiros sob pressão podem ter o mesmo xT. Basta que comecem e terminem nas mesmas zonas.

A amostra pequena. Um jogo só não reúne lances suficientes. É difícil separar um time que constrói superioridade posicional de forma sistemática de uma sequência de passes que caíram nas zonas certas por acaso. O xT só começa a fazer sentido ao longo de umas dez partidas ou mais.

As diferenças entre fornecedores. A grade de zonas e os dados de partida mudam de um fornecedor pro outro — o mesmo problema que aparece ao comparar o xG entre fontes diferentes. Os números só fazem sentido dentro do mesmo modelo.

Como isso entra numa análise de jogo

Análise do jogoANÁLISE IA
Sevilla

Sevilla — Getafe

LaLiga

Getafe

Probabilidade de vitória

1 · Sevilla

46%

X

29%

2 · Getafe

25%

Conclusão

Gols dos dois lados

Os dois ataques estão em forma e os confrontos costumam sair altos.

63%

Confiança

★★★qualidade dos dados

O time da casa marca dois ou mais em oito jogos seguidos em casa.

Risco: rodízio antes do compromisso europeu no meio da semana.

Exemplo de ficha de análise. Números ilustrativos.

O xT é útil bem onde o xG e o xA ficam mudos: ao avaliar como um time constrói jogo no meio de campo, antes de o lance sequer chegar perto da área. Numa análise do Sharkline, as estatísticas de times e jogadores vêm de uma API de dados esportivos. Isso inclui os padrões de construção de jogo, junto com os outros indicadores cobertos em como ler as estatísticas de um jogo. Nenhuma tabela de números crus por zona sai pra fora. O que sai é uma leitura: a probabilidade de cada resultado, uma porcentagem de confiança e uma avaliação da qualidade dos dados coletados, do jeito que é explicado em como a IA analisa um jogo.

Toda a cadeia, dos dados crus até a leitura final, está detalhada em como o Sharkline funciona.

Perguntas frequentes

O que é xT em palavras simples? Um número que mostra o quanto um lance aproximou um time do gol. O campo se divide em zonas com valores diferentes. O xT de um lance é a diferença entre o valor da zona de saída e o da zona de chegada.

Em que o xT difere do xG? O xG avalia só o chute. O xT avalia cada lance em campo, incluindo os do meio de campo que nunca terminam em chute naquela mesma jogada. O xG é um instante da jogada, o xT é o trajeto inteiro.

Em que o xT difere do xA? O xA só conta o último passe antes do chute. O xT conta cada passe e cada drible desde o momento em que a bola é recuperada. Também capta a construção no meio de campo que o xA nunca vê.

xT alto significa que o jogador é bom? Significa que ele move a bola com regularidade pra zonas de mais valor — que constrói bem o jogo pra frente. Não diz nada sobre a defesa dele nem sobre a dificuldade de um lance específico.

A partir de quantos jogos o xT faz sentido? Num jogo só, o número carrega uma margem de erro grande, igual o xG e o xA. Começa a fazer sentido ao longo de umas dez partidas ou mais, quando os lances aleatórios param de pesar tanto quanto um padrão sistemático de jogo.

Os jogos já foram analisados. A decisão é sua.

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